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sábado, 10 de julho de 2021

This is Canoas Not Poa! [Documentário]

 

               No destaque, temos o documentário "This is Canoas Not Poa!". Um documentário sobre a cena musical da cidade de Canoas-RS. 

         Recentemente assisti por indicação de um amigo, Daniel Paiva, músico e excelente guitarrista, o documentário que trata sobre a história da música (rock) da cidade de Canoas no Rio Grande do Sul. 

               Mas, por que venho compartilhar este documentário com os amigos e amigas deste blog? Porque fiz parte desta história nos anos 90'. Naquela época eu não sabia que estava fazendo história na cidade de Canoas. E o documentário This is Canoas Not Poa! me trouxe muitas reflexões acerca daquela época. 

        O documentário inicia com músico dos anos 80's, passa pela história dos anos 90's, 2000's, chegando até o cenário atual. 

         Já no começo aparece o Cládio Berzagui da Prisma Discos de Canoas. Confesso que não sabia o nome do dono da Prisma Discos até este documentário. E duvido que a maioria dos músicos de Canoas sabiam o seu nome. Mas, se falasse no cara, dono da Prisma Discos, vinha a imagem do Cláudio na cabeça e todo músico sabe quem é. 

         A Prisma Discos é sem dúvida a loja que mais incentivou a música e rock de Canoas. Nos anos 90's, se você conseguisse gravar em um estúdio uma fita K-7 decente, poderia pleitear junto à Prisma para tentar divulgar o seu trabalho. Coisa impossível de se fazer em lojas convencionais, sem um selo, ou gravadora por trás. Mas, na Prisma este sonho era possível. E vamos lembrar de que estou falando de um tempo em que não existia a internet em casa. Nem se quer lan houses. Não havia como divulgar o seu trabalho. E a Prisma Discos colocava desde o artista independente; ao pop do momento; até chegar ao suprassumo de álbuns importados que nem se sonhava no Brasil.  Cláudio Berzagui, este sujeito bonachão, ficava com boa parte do meu salário todo mês. E agradeço muito por isso. Pois, conheci muita banda que não teria conhecido sem ele na época. Dream Theater, a qual sou devoto, me foi apresentada por ele. Certa feita ele me ligou (telefone fixo), sim ele ligava para os clientes! e me disse que havia chegado um cd que eu precisava ouvir. Fui correndo à Prisma pra ouvir a novidade. Ao chegar na loja, ele pegou o cd Awake do Dream Theater e o deslacrou. E o questionei: "E se eu não quiser levar o cd?" - Ele sorriu e disse que não havia esta possibilidade. Ao deslacrar o cd da banda nova-iorquina, oriundo da Alemanha, me chamou a atenção o invólucro do cd, que abria como uma embalagem de carteira de cigarro. Algo que não existia em cds brasileiros. Cláudio colocou cd no cd player e ao ouvir a introdução da música "6:00", já sabia que ia levá-lo pra casa. Quando ouvi a voz de James Labrie, fiz guarda no cd player pra que ninguém pegasse o cd. 

       Esta é apenas uma das tantas histórias na Prisma Discos. Bandas como Boston, Viper, entre outras, me foram apresentadas por ele em sua loja. Sem dúvida Cláudio Berzagui foi fundamental pra cena musical rock de Canoas. Só por ele já vale a pena o documentário. Mas, tem muito mais. 

       Confira os discos no face da Prisma Discos:

                                         https://www.facebook.com/prismadiscos



Instagram:
@prismadiscos

          
      Estúdio Purple também está no documentário com comentários do proprietário Veveto. Este estúdio foi o primeiro com estrutura de gravação em K-7 em Canoas. Antes dele era necessário se deslocar até Porto Alegre para poder gravar. Esta história é contada por Cassio Xalaman que era baixista da Slacker nos anos 90's, da qual fui vocalista na fase Thrash Metal da banda. 
     O Estúdio Purple foi uma guinada para as incontáveis bandas de Canoas. Eu ensaiei e gravei com a Easy Target e outras bandas naquele estúdio. Lá se encontrava a galera do Hard Core, do rock, do Heavy Metal, do samba, do pagode, do Blues... todos se encontravam lá. 
      O espaço deu tão certo que virou uma espécie de estúdio/bar no fim de semana. As bandas podiam ensaiar e gravar suas músicas e no fim de semana tocar ao vivo pra galera. Toda esta história foi muito bem retratada no documentário. 
 



      Outro lugar fundamental, muito bem documentado neste vídeo, foi o Gully's. Neste ambiente maluco, roots, bandas de qualquer área do rock poderia tocar. Eu toquei algumas vezes com a Slacker no Gully's. O ambiente e o equipamento eram tosqueira. Mas, sem este lugar, muitas bandas não teriam onde tocar. Era um lugar ímpar. Lá você era livre pra tocar o que quisesse. Não tinha filtro. Toquei lá com a Slacker e com a Easy Target. Com a Easy Target tem uma história curiosa. No dia do primeiro show, havia um grupo feroz de adoradores do Black Sabbath. Essa galera já tinha quase agredido a banda anterior que não tocava Sabbath. Quando entramos no palco, começaram a gritar "Sabbath, Sabbath, Sabbath..." Pra nossa sorte, estavam programadas Paranoid e N.I.B. do Black Sabbath. Tocamos e eles queriam mais. Improvisamos Iron Man. Informamos que eram só essas 3 do Sabbath que sabíamos tocar e iríamos tocar as outras do repertório. A galera entoou o "Sabbath" novamente. Acuados, tocamos mais duas ou três vezes cada música do Sabbath. Satisfeitos em cantar todas as três letras a plenos pulmões, permitiram que tocássemos as outras músicas. Eu nem me lembro mais quais eram as outras. Mas, Black Sabbath tocamos e repetimos com sucesso 😉.
       No documentário o Gully's é comparado com o CGBG   , um bar punk nos Estados Unidos. Comparativo muito fiel ao que era esse estabelecimento. Saiba mais no link https://pt.wikipedia.org/wiki/CBGB
       No Gully's assisti a shows ótimos. E também os mais toscos da minha vida. E por isso era incrível. Toda esta história está muito bem relatada. 

      O documentário me fez refletir do porquê existir tantas bandas em Canoas. A cidade, pela proximidade à Porto Alegre, teve dificuldades culturais. Para os que tinham dinheiro, Porto Alegre é logo ali. Mas, para os "duros" como eu e àquela galera, era um mar de distância. Então, o "faça você mesmo", lema do Punk Rock, se difundiu na cidade. Por isso, haviam tantas bandas Punks nos anos 90's. Uma cidade basicamente militar e industrial, dois polos em que a cultura não tem força, deixavam os filhos destes profissionais sem onde se divertir. E aí vem a história do "faça você mesmo". Se não tem grana pra assistir a shows em Porto Alegre, então vamos montar uma banda de Punk e tocar numa garagem, em praças, em xis e onde desse. E assim foi. Então, acabava nascendo muitas bandas de rock, especialmente de Punk Rock. A diversão era tocar. E naquela época não sabíamos que estávamos fazendo história. Apenas queríamos uma "Festa Punk", tipo Os Replicantes, pra nos divertirmos...hehe... 
        
       Alguns personagens icônicos de Canoas estão neste documentário. Entre eles os já citados acima, bem como: Daniel Bird atual Fly Leaves (nos anos 90' Hungry Bird); André Cebola (Bad Flowers); Everton Acosta e Cassio Xalaman (Slacker); Sandro Trindade (Engenheiros Sem Crea); Betinho (Trem Bahla); Kiko Prata, entre muitos outros. Também teve aparições em vídeos antigos de alguns que toquei e não me lembro seus nomes. Mas, um apareceu e me chamou a atenção. Conhecido como "Tita" o pequeno vocalista gutural de Thrash ao bom estilo Sepultura, aparece em um take no Studio Rock Bar. Com ele cheguei a fazer uma jam de Slave New World do Sepultura. Embora a estatura baixa a voz era de um gigante no gutural. 





        Pra não dar mais espoilers, confiram este baita documentário produzido e dirigido por Wender Zanon

Produção realizada com recurso público do Governo Federal, administrado pela Prefeitura de Canoas. Lei 14.017/2020, Lei Aldir Blanc. 


    

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